domingo, 28 de março de 2010

Mulheres têm poder para fazer justiça, diz Marta

27/03/2010 - CONGRESSO DE MULHERES METALÚRGICAS

Por: Rodrigo Bruder (rodrigo@abcdmaior.com.br)

Ex-prefeita de São Paulo participou do encerramento do 2° Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC e destacou a força feminina

A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), disse neste sábado (27/03), durante o 2° Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC, que a paulatina participação feminina nas tomadas de decisão está mudando a relação de trabalho e o modo de se fazer política no país. “Estamos chegando no poder mais femininas, porque é o que nós temos de diferença para fazermos justiça”, exclamou ela, respaldando-se em lideranças mundiais como as presidentes Angela Merkel (Alemanha) e Cristina Kirchner (Argentina).

Embora o público feminino tenha conquistado espaço no mercado de trabalho e na política, sua representatividade no Brasil ainda é pífia. A ex-prefeita lembrou que no âmbito do poder Legislativo, por exemplo, apenas 8% das mulheres conquistaram cargos eletivos, colocando o País para baixo no ranking de cotas da América Latina. Na Argentina, por exemplo, as mulhores têm representação no Parlamento de 35%.

Outra incoerência, acrescentou Marta, pode ser vista nas fábricas. Estima-se que desde a década de 1980 a participação feminina nas empresas metalúrgicas não passou de 14%. “Mas mesmo assim são as mulheres metalúrgicas que têm a melhor remuneração, mas ainda há diferenças entre os homens”, disse. Na Região, a média salarial das mulheres nas fábricas gira em torno de R$ 2,3 mil. Ainda segundo a ex-prefeita, a mulher do século 21 terá de superar desafios factuais como a busca do equilíbrio salarial e maior participação no mercado de trabalho para avançar em questões de ordem pessoal. “A relação de trabalho vai mudar. Com 50 anos de idade não vamos ter de trabalhar tanto como agora. Vamos batalhar por mais qualidade de vida e alegria. Hoje a última coisa que sobra para uma mulher é tempo”, acrescentou.

O Congresso teve início na última quinta-feira, e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff. Na ocasião, ambos destacaram alguns projetos direcionados ao público feminino que devem integrar ações de governo. Entre eles, a inclusão da construção de creches no lançamento do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Além disso, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, destacou que duas empresas da Região (Toledo e Uniforja) assinaram a ampliação da licença maternidade para 180 dias, como pleiteiam as mulheres metalúrgicas.

Uma resolução contendo as principais reivindicações da categoria foi votada neste sábado (encerramento do evento), e foi definido um encontro anual entre as mulheres para se discutir os progressos. “Queremos ampliar a participação das empresas na licença maternidade de 180 dias, e dobrar a participação as mulheres no mercado de trabalho. A cada ano vamos fazer uma avaliação para vermos se estamos avançando nessas metas”, observou Sérgio Nobre.

Eleições - A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, aproveitou o ato para conclamar a vitória de Dilma nas urnas. “Nós elegemos o primeiro operário para presidente do País e vai ser ele quem vai ajudar a elegermos a primeira mulher presidenta do Brasil”, vaticinou. Bastante indagada pela plateia sobre as chances de esse cenário se concretizar, Marta lembrou que no começo havia até rejeição de uma ala do PT ao nome da ministra para encabeçar a chapa, mas isso foi mudado com a capacidade técnica da pré-candidata. “O Lula percebeu que a Dilma é muito boa. Ela ajudou a fazer os grande projetos (Minha Casa, Minha Vida, pré-sal). Mas é difícil colocar uma pessoa que nunca disputou uma eleição debaixo do braço e levar. No começo o PT tomou um susto, agora está unido e não é à toa que ela (Dilma) está subindo nas pesquisas”, comentou Marta Suplicy, que deve disputar uma vaga no Senado, já que o senador Aloizio Mercadante está cotado para disputar o governo de São Paulo.

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